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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Apoio a fechar Congresso e STF avança entre a direita, mostra pesquisa.

Os presidentes do STF, ministro Dias Toffoli, e do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), se cumprimentam - Pedro Ladeira - 4.fev.2019/Folhapress
Os presidentes do STF, ministro Dias Toffoli, e do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), se cumprimentam Imagem: Pedro Ladeira - 4.fev.2019/Folhapress O apoio ao fechamento do Congresso Nacional e à dissolução do STF (Supremo Tribunal Federal) pelo presidente da República em caso de "dificuldades" no país avançou entre a parcela da população que declara ser de direita, segundo mostra a pesquisa de opinião Barômetro das Américas (Lapop). Estas medidas são ilegais, podem levar o presidente a perder o cargo e, segundo o mesmo estudo, não são apoiadas pela maioria da população como um todo. Coordenado pela universidade americana Vanderbilt, o levantamento foi realizado em toda a América. A etapa brasileira foi realizada em parceria com o Cepesp/FGV (Centro de Economia e Política do Setor Público da Fundação Getulio Vargas) ao longo de janeiro e fevereiro, com 1.498 entrevistados em 107 cidades das cinco regiões. A margem de erro é de 2,5 pontos. Os resultados foram divulgados na semana passada. Pela primeira vez desde 2012, segundo o Lapop, a direita é o maior grupo político na população brasileira: 39%, o maior patamar da série histórica iniciada em 2006. A esquerda ficou com 28%, caindo de 39% em 2017. Eleitores de centro ou que não responderam somaram 33%. Bernardo Barbosa D

O apoio à dissolução do Supremo pelo presidente "quando o país está enfrentando dificuldades" foi a medida ilegal cujo apoio mais avançou, ao longo do tempo, entre os eleitores de direita. Em 2008, primeiro ano da série histórica para este assunto, a proporção de eleitores de esquerda que apoiava a ação era de 19%, maior do que o apoio entre a direita (15%) e os eleitores de centro ou que não responderam (13%). Agora, 52% dos eleitores de direita concordaram com a dissolução do STF com o país em "dificuldades". O apoio à medida também subiu entre a esquerda (35%) e os de centro e que não se posicionaram politicamente (25%).

Pessoas que acham justificável que o presidente dissolva o STF quando o país está em dificuldades (em %)


A maioria da população é contra dissolver o Supremo (62%) --mas o patamar de apoio é o maior da história da pesquisa (38%, contra 14% em 2008). Também cresceu entre a direita o apoio ao fechamento do Congresso pelo presidente "quando o país está enfrentando dificuldades". Em 2006, primeiro ano da série histórica para este tema, 17% dos direitistas concordavam com a afirmação. Agora, são 30%.

 Pessoas que acham justificável que o presidente feche o Congresso quando o país está em dificuldades (em %)


Esta evolução vai na contramão do que ocorreu nos outros dois grupos. O apoio ao fechamento do Congresso na esquerda caiu de 22% para 17% e, entre os de centro ou que não responderam, foi de 20% para 17%. Mesmo assim, a maioria dos brasileiros continua sendo contra fechar o Congresso: eram 81% em 2006 e são 78% hoje. Fechar Congresso e STF é crime Um presidente que tentar fechar o Congresso ou o STF pode perder o cargo e responder na Justiça comum por isso, segundo as leis brasileiras. De acordo com a Constituição, entre os crimes de responsabilidade do presidente estão atentar contra o "livre exercício" dos Poderes Legislativo e Judiciário. A lei específica sobre estes delitos lista, entre eles, "tentar dissolver o Congresso Nacional" e "opor-se diretamente e por fatos ao livre exercício do Poder Judiciário". O professor George Avelino, coordenador do Cepesp/FGV, diz que ainda não é possível entender por que mais gente apoia tais ações, assim como os motivos pelos quais a dissolução do STF pelo presidente tem mais respaldo que o fechamento do Congresso. Ele destaca, no entanto, que a direita está se distanciando no apoio a estas medidas.


A ideologia está voltando a ser importante, a direita está se desgarrando em relação aos outros grupos. Vinha todo mundo mais ou menos com as mesmas opiniões, até que agora desgarrou

Para ele, os dados são "preocupantes", principalmente no caso do STF, já que "o apoio [à dissolução] subiu nos três grupos" (esquerda, centro e direita). Por outro lado, Avelino lembra que o papel do Supremo em uma democracia é o de defender a minoria contra a maioria, "o que torna o STF potencialmente não muito popular". Bolsonarismo tem discurso dúbio, diz historiador O historiador Murilo Cleto, que pesquisa bolsonarismo e a nova direita na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), observa que a evolução do apoio à dissolução do STF pelo presidente "é muito mais aguda" que a do fechamento do Congresso e entra em pauta durante as turbulências políticas enfrentadas pelo país nos últimos anos. "Foi nas mobilizações pró-impeachment que começaram a circular com mais ênfase essas manifestações anti-STF", diz, lembrando protestos contra os ministros Teori Zavascki (1948-2017) e Ricardo Lewandowski. Ainda segundo Cleto, o avanço do apoio a essas pautas pode ser relacionado à ascensão do presidente Jair Bolsonaro (PSL).


Enquanto o centro dominou a política brasileira, seja ele centro-direita ou centro-esquerda, a gente nunca tinha ouvido falar de forma tão clara da possibilidade de fechar essas instituições, como a gente tem ouvido por parte de lideranças bolsonaristas, que assumiram um papel ambíguo em relação a isso

Para o historiador, o bolsonarismo tem desempenhado um papel simbólico "de tornar esses discursos admissíveis". "Aí que reside o perigo", afirma. Em maio, Bolsonaro endossou as manifestações que criticaram, em todo o Brasil, o Congresso e o Supremo, mas afirmou também que quem pedia o fechamento dessas instituições estaria "na manifestação errada". Durante a convocação dos protestos, militantes levantaram tais pautas, rechaçadas por organizadores dos atos de rua. No ano passado, causou polêmica a divulgação de um vídeo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) dizendo que, para fechar o STF, bastaria "um soldado e um cabo". Eduardo disse que nunca defendeu o fechamento do Supremo e que apenas respondeu "a uma hipótese esdrúxula, onde Jair Bolsonaro teria sua candidatura impugnada pelo STF sem qualquer fundamento". Presidente "polariza" Avelino, do Cepesp/FGV, diz que a atitude de Bolsonaro e aliados pode ter influenciado no maior apoio da direita a esse tipo de pauta, mas que ainda não foi possível medir isso. "Teríamos que fazer mais pesquisas."

O professor lembra, no entanto, que na mesma pesquisa do Lapop foi feito um teste para verificar como a posição de Bolsonaro em um determinado assunto pode influir na opinião das pessoas. Os entrevistados foram perguntados se concordavam ou não com a proposta de privatizar a Petrobras --no ano passado, durante a campanha eleitoral, Bolsonaro admitiu a possibilidade de privatizar a estatal. Sem a informação sobre a posição de Bolsonaro, o apoio à privatização entre os entrevistados que consideram o governo ótimo ou bom era de 45%. Já entre os que avaliam a administração como ruim ou péssima, o respaldo era de 33%. Ou seja, uma diferença de 12 pontos percentuais. Após saber da posição de Bolsonaro, o apoio no primeiro grupo foi para 57% e caiu para 23% no segundo. A diferença entre os grupos aumentou para 34 pontos percentuais. "Quando fala que o Bolsonaro apoia, polariza. Tem gente que apoia o governo e que passa a apoiar mais. Quem achava o governo ruim passa a apoiar menos. Uma vez que você adiciona a informação, polarizou mais as opiniões", diz Avelino. 

FONTE>>.https://noticias.uol.com.br/
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